O então presidente dos EUA, George W. Bush, reage em uma sala de aula após ser informado dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001: contar onde você estava e o que estava fazendo naquele dia conecta sua história pessoal a uma história mais ampla.
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Ter uma lembrança vívida e detalhada de um evento marcante como o 11 de Setembro pode parecer uma demonstração de patriotismo e um vínculo com outras pessoas, estadunidenses ou não
Ao deixar de lado normas básicas do jornalismo em favor do patriotismo e da narrativa de “guerra ao terror” imposta pelo governo e movida pelo medo, organizações jornalísticas arquitetaram seu próprio declínio e alimentaram a ascensão da atual “era da desinformação”.
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As redações, em vez de atuarem como órgãos de fiscalização críticos, ecoaram a narrativa do governo Bush
Anúncio da GrabAGun, empresa de vendas online de armas, que já possui ações na Bolsa de Nova York e tem como um dos principais investidores o filho do presidente Donald Trump: negócios alavancados pelas novas normas de comercialização de armas nos EUA, que agora permitem o envio dos produtos diretamente para o comprador final, sem qualquer tipo de escrutínio, e facilitam as exportações para países antes considerados críticos - como o Brasil.
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Ao mesmo tempo em que classifica facções brasileiras como terroristas, EUA facilita de maneira inédita o escoamento de armas para essas facções
O Secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, conversa com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante encontro do G7 em maio de 2026: Rubio está à frente da decisão de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas transnacionais: medida cria uma zona cinzenta que pode colocar bancos, empresas, seguradoras, investidores, plataformas financeiras e fintechs sob escrutínio, com possível influência nas próximas eleições.
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A interferência externa contemporânea raramente aparece como fraude direta sobre urnas. Ela se manifesta por discursos, símbolos, redes sociais, pressão econômica, sanções, tarifas, reuniões seletivas e enquadramentos narrativos
Integrantes do Comando Vermelho presos em operação policial no Rio de Janeiro: a classificação de uma facção criminosa como organização terrorista estrangeira não constitui apenas uma declaração política. Ela produz efeitos jurídicos concretos, que ampliam os potenciais efeitos da medida para muito além da esfera criminal e pode ter consequências graves à economia do país onde esta organização opera.
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Mais do que uma discussão sobre terrorismo, o episódio revela uma transformação de outra natureza: a capacidade de alguns Estados de projetar efeitos jurídicos e econômicos para além de suas fronteiras por meio de mecanismos regulatórios, financeiros e de segurança
Marco Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, no dia em que foi preso: terrorismo, segundo o direito brasileiro e o entendimento predominante na literatura criminológica, pressupõe motivação ideológica, política ou religiosa. Nem o PCC nem o Comando Vermelho se encaixam nesse critério. São organizações movidas por uma lógica econômica: controlam rotas de tráfico, dominam territórios urbanos e operam cadeias de abastecimento com eficiência empresarial.
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Robson Rodrigues, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
A classificação anunciada pelos Estados Unidos ignora o que sustenta o crime organizado: armas sem controle e dinheiro sem rastro. É uma forma de criar novos problemas sem resolver os antigos
Integrantes do PCC tomam o presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, durante rebelião em 2017: apesar da violência, do poder econômico e das ligações cada vez mais evidentes com políticos e juízes, as facções criminosas brasileiras não têm como objetivo destituir governos, espalhar o terror por razões religiosas ou instaurar regimes ideológicos.
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A tentativa de enquadrar estas organizações como “terroristas” sob a ótica da legislação dos Estados Unidos é um movimento que carece de fundamentação factual e jurídica
Lula dedicou parte do seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU para registrar sua preocupação com a postura norte-americana peranate a América Latina. Na prática, uma pessoa latino-americana acusada pelo governo dos EUA de ser pertencente a um dos grupos listados como terroristas, poderá ser capturada fora dos EUA, com ou sem o auxílio do seu governo, podendo parar em Guantánamo ou simplesmente desaparecer.
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O presidente brasileiro afirmou que “é preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo”, em direta referência às decisões de Donald Trump de equivaler grupos do crime organizado latino-americano a organizações terroristas
Libaneses tomam sorvete numa lanchonete em Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira: entre 2006 e 2012, a região integrou lista norte-americana de portos seguros para atividades terroristas - mais especificamente do Hezbollah - sem que jamais tenha ocorrido um atentado ou que algum ativista tenha sido localizado ali.
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Por mais de uma década, a fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina foi apontada como “refúgio seguro"para ativistas islâmicos, sem nunca ter havido nenhum atentado por lá
O mega show de Lady Gaga na Praia de Copacabana: a investigação da polícia que frustrou um ataque ao público do evento revelou que o atentado era tratado como um “desafio coletivo”, com jovens sendo recrutados para fabricar coquetéis molotov e mochilas explosivas com o objetivo de obter notoriedade nas redes sociais.
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David Nemer, University of Virginia and Arthur Coelho Bezerra, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
Em vez de promoverem diversidade, muitas das redes sociais e outras plataformas digitais populares funcionam como máquinas de produção e circulação de ódio entre jovens, com mulheres e minorias entre seus principais alvos
Esta imagem anônima do criador do FGC-9, ‘JStark1809’, foi postada on-line com os projetos da arma em 2020.
JStark1809/Deterrence Dispensed via Wikimedia
Um número cada vez maior de insurgentes, terroristas e extremistas está usando a arma FGC-9 impressa em 3D. Aqui está o que aprendi sobre o homem que a criou e o mundo sombrio em que ele vive
Israel contra-ataca: as consequências de um ataque aéreo em um bloco de apartamentos residenciais em Gaza.
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Antropólogo, doutor em ciências sociais e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência (LAV-UERJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)