Uma pesquisa de opinião quantitativa tradicional, com mil entrevistados, custa cerca de R$ 150 mil e requer tempo para publicar o resultado. Pesquisas geradas por IA generativa, que simulam perfis de eleitores sem entrevistar ninguém de verdade, saem por uma fração desse valor e ficam prontas em minutos. Mas colocam em cheque a credibilidade de seus resultados, pois podem ser manipuladas por quem as encomendou.
Imagem meramente ilustrativa gerada por Inteligência Artificial via Eleven Labs
A promessa de eficiência, rapidez e baixo custo do uso de IA em pesquisas eleitorais esconde o risco de adulteração dos resultados em função dos interesse e quem as encomendou
Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza: novas diretrizes sobre uso de IA divulgadas pela universidade não representam avanço na integração crítica dessas tecnologias. Ao contrário, optam pelo controle em detrimento de uma perspectiva pedagógica e formativa.
Foto: UFC / Divulgação
Abordagem excessivamente restritiva e punitiva adotada por certas universidades sobre o uso de Inteligência Artifical em trabalhos de pesquisa de pós-graduação demonstra uma visão reducionista do potencial das ferramentas atuais
As imensas transformações na dinâmica pedagógica provocadas pelo desenvolvimento da IAG ainda não se reverteram na publicação de regramentos ou mesmo diretrizes para o uso dessas ferramentas nas atividades da grande maioria das principais instituições de ensino superior (IES) no Brasil, sejam elas públicas ou privadas.
Imagem gerada por IA / Envato Labs
De um universo de 150 instituições, apenas sete possuem algum tipo de documento que regulamente a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (IAG) entre alunos e professores
IA na academia: comparação entre sete ferramentas de pesquisa profunda baseadas em IA generativa realizada pelo autor mostraram inconsistências como falta de contextualização, uso inapropriado de fontes e poucas referências a fontes acadêmicas, mesmo quando isso era solicitado pelo prompt.
Ociacia/Shutterstock
Avaliação de sete ferramentas de pesquisa profunda constatou que ainda é preciso entender melhor como otimizar o processo sem perder de vista princípios fundamentais da integridade científica contemporânea
O livro “Diretrizes para o uso ético e responsável da Inteligência Artificial Generativa: um guia prático para pesquisadores”, escrito pelos autores deste artigo, foi pensado para a dirimir dúvidas e ensinar a comunidade científica brasileira a usar a IA de forma correta e eticamente responsável.
Reprodução de capa
Livro “Diretrizes para o uso ético e responsável da Inteligência Artificial Generativa: um guia prático para pesquisadores” foi pensado especialmente para a dirimir dúvidas e ensinar a comunidade científica brasileira a usar a IA de forma correta e eticamente responsável