A tripulação original de “Jornada nas Estrelas” em comemoração do fim da produção do quinto filme da franquia, em 1988: quando a série foi lançada, em 1966, mundo vivia o auge da Guerra Fria, com EUA e União Soviética disputando não só a primazia militar como a cultural no planeta.
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O que os 60 anos da estreia da série “Jornada nas Estrelas” nos dizem sobre corrida espacial, geopolítica, inovação, ‘soft power’ e alteridade
Estudo indica que seca prolongada pode ter servido de impulso, junto com crescimento populacional e melhorias na tecnologia das canoas e navegação.
Ent-movie / Alamy
Novas evidências sugerem que uma seca generalizada, que se estendeu por séculos, pode ser parte da resposta.
No filme em que dinossauros são recriados por manipulação genética, o professor Alan Grant vivido por San Neill influenciou jovens do mundo inteiro a tornarem-se cientistas. Mais tarde, já lutando contra um câncer, o ator australiano foi paciente pioneiro no uso da terapia CAR-T, que treina o próprio sistema imunológico a detectar e combater as células cancerígenas. A edição genética que seu personagem tanto temia em Jurassic Park acabou oferecendo a ele uma nova oportunidade de vida, que se encerrou no dia 13 de julho de 2026.
Universal Studios / Divulgação
Rafael Matos Lindoso, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão
Astro de Jurassic Park, morto esta semana na Austrália, povoou os sonhos de muitas crianças que acabaram se tornando cientistas
O filme Jurassic Park se tornou uma referência cultural para as promessas e as armadilhas de trazer espécies extintas de volta à vida e logo foi lembrado quando uma empresa americana anunciou a intenção de reviver o mamute-lanudo.
Universal Pictures
Todos sabemos que a ciência influencia livros, filmes e programas de TV, mas essa influência é mútua
A relação da inteligência artificial com a produção de filmes está evoluindo rapidamente, e a cada semana surgem novos desenvolvimentos, muitas vezes surpreendentes.
Nick Lehr/The Conversation
As ferramentas de IA agora podem gerar cenas de filmes, ressuscitar filmagens perdidas e substituir empregos de nível básico, forçando Hollywood a repensar a criatividade, o trabalho e a autoria
Paul Mescal no papel de William Shakespeare no filme “Hamnet”, de Chloé Zhao: obra explora como historicamente as expressões de luto costumam ter conotação de gênero, com homens e mulheres experimentando perdas de formas diferentes.
Focus Features
Filme indicado ao Oscar sobre morte do filho de Shakespeare explora como homens e mulheres lidam com o luto de maneiras diferentes , e como “Hamlet” pode ter transformado a dor íntima de um pai em arte atemporal
É marcante no filme que a perseguição ao personagem de Wagner Moura se dê não por ele ser uma figura politicamente exposta, mas pela ganância de um empresário corrupto, interessado em se apropriar de projetos desenvolvidos na universidade pública. A acusação de que o financiamento para a ciência seria “dinheiro fácil” aparece associada a uma parte do empresariado que é, esta sim, beneficiária de inúmeras vantagens concedidas pelo governo.
Imagem: Divulgação
Matias López, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Diego Portales University
Entre muitas outras abordagens, obra de Kléber Mendonça Filho mostra como cientistas, estudantes universitários e acadêmicos em geral foram reprimidos pela ditadura militar brasileira
Detalhe da capa do documentário ‘Orwell 2+2=5’: apesar de politicamente engajado, filme do diretor Raoul Peck sobre George Orwell não toca em feridas do século 21 como a crise do capitalismo e o humanismo em extinção.
Imagem: Divulgação
Alfredo Suppia, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Apesar de politicamente engajado, filme do diretor Raoul Peck sobre George Orwell não toca nas feridas do século 21: o sistema capitalista insustentável e o humanismo em extinção
No recente filme “Drácula”, de Luc Besson, o personagem principal é um romântico incurável, uma transformação significativa do vampiro original, apresentado como um monstro de “hálito fétido”, “rosto nada agradável” e personalidade “dura e cruel”.
Vertical
O Conde Drácula era originalmente um predador de respiração fétida, e sua transformação em um amante trágico reflete um século de mudanças nas atitudes em relação ao sexo, gênero e desejo.
Irene Ravache em ação no filme ‘A memória que me contam’, o segundo em que a atriz interpreta a própria Lucia Murat: em 40 anos de carreira, a diretora assinou 34 obras de ficção e não-ficção, quase todas dedicadas a tornar visíveis as histórias de corpos torturados pela ditadura, pela polícia, pela usurpação de terras, pelo tráfico, pela opressão de classe, idade, gênero e raça.
Divulgação / Taiga Filmes
Ao longo de mais de 40 anos de carreira, Lucia Murat usou sua câmera para tornar visíveis os invisibilizados, denunciando a ditadura e as desigualdades sociais e de gênero. Mostra sobre sua obra no CCBB tem 34 filmes
Cena de Duna: Parte 2, produção de US$ 200 milhões que concorreu a seis Oscars este ano, sendo rodada nos deserto próximo de Abu Dhabi: entre os custos de carbono de grandes filmes estão os gastos com centenas de passagens de avião.
Divulgação: Warner
Em média uma grande produção de cinema nos Estados Unidos e na Inglaterra gera cerca de 33 toneladas métricas (Mt) de CO2 equivalente para cada dia de filmagem
Os diretores Basel Adra, à esquerda, e Yuval Abraham no palco do 62º New York Film Festival, em 29 de setembro de 2024.
Jamie McCarthy/Getty Images
Apesar de ganhar prêmios em vários festivais, o filme não conseguiu encontrar uma empresa para distribuí-lo nos EUA
Walter Salles posa com o Oscar de melhor filme internacional, depois de dedicar o prêmio a Eunice Paiva: vitória de ‘Ainda Estou Aqui’ reforça reflexão sobre falta de punição aos crimes da ditadura e às tentativas do governo Bolsonaro de desresponsabilizar os militares pelas mortes e desaparecimentos ocorridos no período.
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Lucas Pedretti, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Com a enorme repercussão do longa, familiares de mortos e desaparecidos políticos e movimentos sociais assistiram a alguns tímidos, mas importantes, avanços em suas demandas por memória, verdade, reparação e justiça pelos crimes da ditadura militar.
Demi Moore no Globo de Ouro de 2025: em The Substance, ela desafiou as expectativas mais uma vez, juntando-se às fileiras de atrizes que estão encontrando papéis de peso à medida que chegam à meia-idade ou à velhice.
Caroline Brehman/EPA-EFE
Cristina Fonseca, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Com um roteiro aparentemente sem grande pretensão, Walter Salles fez um filme de época impecável, numa narrativa que emociona até quem desconhece a história do autoritarismo no Brasil, e que lembra o melhor do neorrealismo italiano
Walter Salles, diretor de “Ainda estou aqui” e “Central do Brasil”: existem dados que ajudam a entender os processos que levam pessoas normalmente associadas a interesses econômicos de direita a adotarem posições tipicamente de esquerda. E esses dois filmes permitem ilustrar esses processos no Brasil.
Fiorenzo De Luca / Divulgação
Matias López, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Diego Portales University
Quais as questões estruturais e ideológicas que fazem com que dois dos filmes mais bem sucedidos da história do cinema nacional - ambos de temática social e do mesmo diretor Walter Salles - podem também expor uma contradição social tipicamente brasileira
Fernanda Torres comemora com Walter Salles anúncio da vitória de “Ainda estou aqui” como melhor filme internacional no Oscar 2025: obra recupera a importância do cinema como expressão da identidade brasileira perante o mundo.
Indicações ao Oscar aumentam oportunidades para novos projetos audiovisuais, contribuem para resgates da História e recuperam autoestima de setores culturais que sofreram com cortes de verbas e cancelamentos motivados por questões ideológicas e fakenews
A atriz Jess Hong encarna a física Jin Cheng em O Problema dos 3 Corpos, que compila teorias científicas e discute o futuro da humanidade.
Divulgação / Netflix
Luiza Lusvarghi, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
As plataformas de streaming têm se notabilizado por colocar mulheres comuns, independentes e profissionalmente qualificadas, em papéis de protagonismo. Netflix e Apple despontam nesse cenário.
Professora e pesquisadora da Pós-Graduação em Multimeios e integrante do Genecine - Grupo de Estudos Sobre Gêneros Cinematográficos e Audiovisuais, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Documentarista, diretora e roteirista, escritora, ensaísta e doutora em Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)