O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, discursa durante o último Congresso Pan-Americano, em Montevidéu: criado em 2024 em Bogotá e repetido em 2025 no México, o fórum busca um diálogo mais equilibrado entre norte e sul, num momento em que a direita ocupa a maior parte dos governos democráticos das Américas.
Foto: Divulgação /Congresso Pan-Americano
O encontro uruguaio enfatizou a democracia, teve mulheres à frente da organização e debateu o trabalho de cuidado, a regulação das grandes empresas de tecnologia e uma política industrial verde
O primeiro-ministro indiano Narendra Modi, à direita, e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian se encontram à margem da Cúpula do BRICS em Nova Délhi, na Índia, na sexta-feira, 11 de setembro de 2026.
Foto: Ministério das Relações Exteriores da Índia, via AP
Mais do que sobreviver aos choques, BRICS deve aumentar a capacidade dos países e povos do Sul Global de decidir seus próprios caminhos de desenvolvimento
China, Índia ou Brasil podem integrar o chamado Sul Global, mas suas empresas podem ocupar posições econômicas muito distintas das comunidades, trabalhadores e mesmo dos Estados que recebem seus investimentos.
Imagem: Port Calls Ásia/Unsplash
Ana Saggioro Garcia, PUC-Rio; Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hoje um dos principais atores das mudanças em curso na ordem internacional, o BRICS defende reformas na governança global e questionam a concentração histórica de poder nos Estados Unidos e na Europa
No funeral de um soldado estadunidense morto no Irã, um retrato dos custos militares e sociais que se somam aos prejuízos econômicos globais: em seis meses de guerra, dezoito combatentes morreram e 756 ficaram feridos.
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Transcorrido meio ano, os ataques estadunidenses e israelenses planejados para enfraquecer Teerã acabaram impondo perdas a consumidores, empresas e governos em todo o mundo, sem falar no sofrimento das famílias de militares mortos
O Tratado de Itaipu, assinado em 1973, estabeleceu que Brasil e Paraguai teriam direito à metade da energia produzida pela usina binacional. Como a demanda brasileira era muito superior à do Paraguai, o Brasil passou a consumir essa sobra, pagando uma remuneração que o país vizinho contestou por décadas, até conseguir renegociar.
Foto: International Hydropower Association (IHA)
Pesquisadores examinaram a negociação que levou o Brasil a aceitar triplicar a remuneração paga pela energia paraguaia em 2009
Atiradores disfarçados flagrados por câmera de segurança no momento em que atiravam contra a ex-mulher de Fernando Cerimedo, na Bolívia: atuação do ex-estrategista político que tinha relações com Milei, Bolsonaro e outros políticos ultra conservadores revela que a rede de projetos da extrema-direita na América Latina não é apenas ideológica, mas sobretudo comercial.
Imagem: Reprodução de TV
Com atuação nas campanhas de Milei, Bolsonaro e outros expoentes de extrema-direita latino-americanos, Cerimedo operou redes de contas falsas e explorou algoritmos para disseminar narrativas falsas e influenciar eleições
Segundo a UE, as garantias brasileiras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal são insuficientes, mas o Brasil contesta a decisão, afirmando que todas as medidas sanitárias necessárias foram implementadas e documentadas. O país também questiona auditorias que não teriam sido exigidas de outros parceiros, e alega discriminação.
AP Photo/Eraldo Peres
Bruxelas considera insuficientes as garantias brasileiras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Brasília diverge, num impasse que envolve saúde pública, fiscalização e interesses comerciais
No centro de Caracas, um mapa da Venezuela inclui a região do Essequibo, estratégico na produção de petróleo e que correponde a 70% do território guianês, vem sendo pleiteado há décadas pelo país vizinho. Para proteger a autonomia da região, que também é de seu interesse, o Brasil aprovou um acordo militar com a Guiana.
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A escalada Irã-EUA desta semana, a disputa Brasil-EUA na OMC e o impasse no Essequibo mostram que mecanismos híbridos seguem essenciais para reduzir danos mesmo sem solução política definitiva
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em encontro com a presidente em exercício da Venezuela Delcy Rodriguez, em Caracas, para a assinatura do contrato de exploração: quando um acordo assim se estende por décadas, envolve participação estatal estrangeira, cláusulas de preferência na compra e influência sobre decisões empresariais, a discussão deixa de ser apenas comercial e passa a ser de poder.
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Quando um contrato de exploração se estende por décadas, envolve participação estatal estrangeira, cláusulas de preferência na compra e influência sobre decisões empresariais, a discussão deixa de ser apenas comercial e passa a ser de poder
O Lago Ontário já “rebatizado” para “Lago América” na versão estadunidense do Google Maps: escalada comercial entre os dois países ganhou novos contornos após a provocação geográfica e novas ameaças de ampliar tarifas.
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Escalada comercial entre os dois países ganhou novos contornos após Trump determinar a mudança do nome do Lago Ontário e ameaçar ampliar tarifas
43 graus em Paris, diz o termômetro da farmácia na avenida Champs Elysee: durante anos, a climatização foi associada na França ao consumo excessivo de energia e a uma forma individualista de responder às mudanças climáticas. Mas o calor é tanto que o consenso está mudando e a instalação em massa de aparelhos em escolas e hospitais é tema de debates políticos, enquanto o eletrodoméstico se esgota nas lojas.
AP Photo/Aurelien Morissard
Durante anos, a climatização foi associada no país ao consumo excessivo de energia e a uma forma individualista de responder às mudanças climáticas. Mas o calor recorde está mudando esse consenso
O caso de Maria Luiza Ribeiro Viotti não é um incidente isolado. A assimetria nas relações diplomáticas entre os dois países é constante. Mudam apenas os meios pelos quais os Estados Unidos a concretizam.
Foto: José Cruz / Agência Brasil
A revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos é o ponto mais visível de uma crise que combina tarifas, disputas regulatórias, segurança pública e vistos, e que expõe uma relação estruturalmente assimétrica entre os dois países
Um menino que estava no grupo que chegou a nado à Ceuta implora ao soldado espanhol para não ser mandado de volta ao Marrocos: disputa de narrativas sobre a tragédia não aborda o sofrimento de quem a viveu, mas o controle sobre o sentido político do acontecimento. E é essa disputa — mais do que os números — que merece a atenção de quem estuda fronteiras e justiça social.
AP Photo/Bernat Armangue
A busca dos culpados pelas 70 mortes ocorridas quando milhares de jovens atravessaram a nado o trecho que separa o Marrocos do enclave espanhol de Ceuta diz mais sobre a política de fronteiras europeia do que sobre quem “abriu a torneira” que resultou na tragédia
Sede da Anvisa, em 2021: durante a pandemia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mesmo sob forte pressão política, teve um papel central nas decisões sobre vacinas, medicamentos e outras tecnologias de saúde. Já a Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología (ANMAT), da Argentina, também tinha capacidade técnica e reconhecimento internacional, mas sua maior dependência em relação ao Ministério da Saúde contribuiu para uma configuração mais fragmentada do sistema de assessoramento.
AP Photo/Eraldo Peres
Pesquisa que compara a atuação das agências reguladoras de medicamentos dos dois países durante a pandemia de COVID-19
Refinaria iraniana em chamas após um bombardeio em junho: guerra provoca alta dos custos logísticos e do preço dos seguros, e aumenta a volatilidade do petróleo - fatores que ajudam a produzir efeitos em cascata que atingem toda a economia mundial.
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A interrupção de rotas estratégicas, a alta dos custos logísticos, o aumento do custo dos seguros e a volatilidade do petróleo estão produzindo efeitos em cascata que atingem diferentes setores da economia mundial
Apesar de assumirem maior projeção agora, desentendimentos entre os presidentes da Argentina e do Brasil ocorrem há algum tempo. Começaram em 2019, com o desalinhamento ideológico dos governos de Alberto Fernández e Jair Bolsonaro. Agora seguem entre Lula e Milei, em polos invertidos.
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André Araujo, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Entre convocações de embaixadores para consultas e rebaixamento das relações, crise diplomática entre os dois países reflete tensões políticas acumuladas há anos
Vegetação destruída por incêndios na Grécia: apenas 3% da cobertura original de florestas resta nos países da União Europeia, e estão concentradas na Suécia, Bulgária, Finlândia e Romênia.
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Relatório do Centro Comum de Investigação, órgão científico da Comissão Europeia, mostra que florestas primárias representam menos de 3% de toda a área florestal do bloco.
Efeito Bukele: o caso do presidente El Salvador tornou-se a referência global dessa estratégia de exploração do medo como alavanca de poder.
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O medo é real e as pessoas têm medo. A questão é quem se beneficia politicamente quando o Estado falha em resolvê-lo — e a que custo para a democrácia
Navios cargueiros aguardam no Estreito de Ormuz: o fechamento da passagem obriga empresas e armadores a buscar rotas alternativas. Uma das principais estratégias foi redirecionar as embarcações para contornar a África, praticamente dobrando o tempo da viagem padrão, comprometendo as cadeias de abastecimento e ampliando significativamente os custos logísticos.
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A elevação dos preços do petróleo, o aumento dos custos de energia, os gargalos logísticos e as incertezas em torno de rotas estratégicas de transporte marítimo e aéreo afetam diretamente uma cadeia farmacêutica mundial altamente concentrada
Com as novas regras, brasileiros ficam sujeitos ao chamado regime geral de afastamento, que inclui detenção de até 30 meses e eventual deportação para um terceiro país.
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Prazo de detenção administrativa sobe de 6 meses para 2 anos. Cria-se também os chamados “polos de regresso” — centros de retorno fora da Europa em países terceiros, inspirados no modelo Itália-Albânia
Pesquisador em Direito Biomédico e propriedade intelectual de medicamentos e Professor titular da Escola de Ciências Jurídicas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)