O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, discursa durante o último Congresso Pan-Americano, em Montevidéu: criado em 2024 em Bogotá e repetido em 2025 no México, o fórum busca um diálogo mais equilibrado entre norte e sul, num momento em que a direita ocupa a maior parte dos governos democráticos das Américas.
Foto: Divulgação /Congresso Pan-Americano
O encontro uruguaio enfatizou a democracia, teve mulheres à frente da organização e debateu o trabalho de cuidado, a regulação das grandes empresas de tecnologia e uma política industrial verde
O Tratado de Itaipu, assinado em 1973, estabeleceu que Brasil e Paraguai teriam direito à metade da energia produzida pela usina binacional. Como a demanda brasileira era muito superior à do Paraguai, o Brasil passou a consumir essa sobra, pagando uma remuneração que o país vizinho contestou por décadas, até conseguir renegociar.
Foto: International Hydropower Association (IHA)
Pesquisadores examinaram a negociação que levou o Brasil a aceitar triplicar a remuneração paga pela energia paraguaia em 2009
Mulher usando a Chola, traje típico de muitas indígenas andinas, é examinada por uma equipe de médicos em La Paz, durante a pandemia: resultado do estudo comparativo sobre a eficiência dos serviços de saúde pública e privada na América Latina nos últimos dez anos mostrou que o Brasil, embora tenha um volume de investimentos grande, ainda carece de uma distruição mais eficiente destes recursos, em comparação com outros países.
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Brasil fica a dever no quesito, e principal desafio está na eficiência da utilização dos recursos disponíveis, e não necessariamente na insuficiência de investimentos
Mulheres bolivianas reunem-se com governantes para debater leis de proteção contra violência política de gênero: a Bolívia foi o primeiro país do mundo a aprovar uma legislação específica sobre o tema, em 2012.
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Danielly Milano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP); Gabriela Kyrillos, Universidade Federal do Rio Grande (FURG), and Rosangela Schulz, Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
A violência política de gênero atinge ativistas, candidatas, detentoras de mandato, integrantes de suas equipes e até familiares. Levantamento cobriu todas as leis criadas sobre o tema na região entre 2012 e 2025
Efeito Bukele: o caso do presidente El Salvador tornou-se a referência global dessa estratégia de exploração do medo como alavanca de poder.
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O medo é real e as pessoas têm medo. A questão é quem se beneficia politicamente quando o Estado falha em resolvê-lo — e a que custo para a democrácia
De la Espriella tem explorado os temores da população em relação à criminalidade e isso surtiu efeito para a maioria dos eleitores. A vitória foi apertada, mas a mais significativa para a extrema direita da América Latina, ampliando de formaimprevisível a influência dos EUA sobre a região.
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Abelardo de la Espriella prometeu construir megaprisões para reprimir o crime e conduzir as relações exteriores em sintonia com o governo Trump
Trump, Bolsonaros e Figueiredo no Salão Oval: interesses do governo estadunidense na geoplítica da América Latina como um todo - e do Brasil em particular - permitem afirmar teremos um percurso com forte presença norte-americana nas eleições do segundo semestre.
Imagem: Divulgação / Casa Branca
Monica Herz, Instituto Latino-Americano para o Multilateralismo (ILAM) and Paulo Esteves, PUC-Rio
O interesse em manter a América Latina como zona de influência, a ausência de compromisso com a democracia e a perspectiva de que a vitória de candidatos alinhados a Washington é prioritária gera um investimento importante nos processos eleitorais na região
O ultradireitista Abelardo de la Espriella discursa após vitória no primeiro turno das eleições presidenciais: advogado penalista de 47 anos, De la Espriella ficou famoso na Colômbia por defender paramilitares e figuras ligadas ao tráfico de drogas, e construiu sua campanha como uma estratégia que inclui palavrões em discursos, roupas militares e frases de efeito que viralizam nas redes sociais.
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Eleição colombiana mostra que a disputa no continente não é apenas entre esquerda e direita — é também entre modelos diferentes de poder, segurança e relação com a democracia
Representantes de movimentos sociais e trabalhadores enfrentam a polícia nas ruas de La Paz: falta de soberania sobre recursos naturais, inequidade no ajuste fiscal e nebulosidade nas alianças geopolíticas são questões sobre as quais o Brasil precisa ficar cada vez mais atento.
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A assimetria econômica boliviana — mais sacrifício para os pobres, mais alívio para os ricos — é um padrão recorrente na América Latina, que o país andino atualiza com nitidez perturbadora
O secretário da Guerra norte-americano, Pete Hegseth, e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, posam para uma fotografia com militares e líderes de segurança de países latino-americanos e do Caribe, na Conferência Inaugural das Américas contra os Cartéis, ocorrida nos EUA no começo de março de 2026.
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A nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo dos EUA prevê reforço da vigilância de fronteiras e rotas marítimas, cooperação de inteligência, rastreamento financeiro e integração de ações diplomáticas, militares e de segurança para combater tráfico de drogas, armas e pessoas
Posse do novo presidente interino peruano, José María Balcázar, escolhido pelo Congresso, aos 83 anos de idade: ex‑juiz da Suprema Corte com um histórico de problemas éticos e de corrupção, Balcázar é o oitavo presidente do Peru em dez anos, e simboliza a atual fragilidade da democracia do país, que tem o Poder Executivo refém do poder excessivo do Congresso.
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A “peruanização” da crise de governabilidade deixa de ser um cenário hipotético e passa a ser um risco real para toda a América Latina
Os presidentes do Brasil, Panamá
Da esquerda para a direita, os presidentes Bernando Arévalo, da Guatemala; Lula, do Brasil; José Raúl Mulino, do Panamá; Sergio Díaz Granados, do Banco de Desenvolvimento da América Latina; Rodrigo Paz, da Bolívia; Daniel Noboa, do Equador; e o primeiro ministro da Jamaica, Andrew Holness, durante o Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, ocorrido em janeiro de 2026 no Panamá: na nova conjuntura geopolítica e comercial global, a unidade latino-americana deixa de ser um projeto apenas identitário, e assume contornos de sobrevivência estratégica.
Foto: Divulgação / Presidência do Panamá
Na América Latina, regimes autoritários e polarização ideológica profunda comprometeram a construção de instituições regionais duradouras. Mas a desunião regional deixou de ser neutra
A apresentação do porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Super Bowl ofuscou o jogo e atraiu a atenção do mundo para a autencidade da cultura dos povos das Américas Central, do Norte e do Sul, e dos imigrantes dessas regiões que vivem nos EUA.
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A apresentação de Bad Bunny demonstrou como a autenticidade pode ser produzida por meio do ativismo anticolonial
Manifestantes protestam contra a intervenção americana na porta da embaixada dos EUA em Caracas: as ações militares na Venezuela são uma afronta à soberania do país e ao Direito Internacional, mas não podem ser analisadas isoladamente. Elas se inserem num contexto de transformação mais ampla da geopolítica contemporânea, que passou a dividir espaço com abordagens temáticas mais diversificadas.. AP Photo/Ariana Cubillos.
O ataque à Venezuela traz de volta à tona perspectivas clássicas de poder, e devem ser entendidos menos como objetivos concretos e mais como instrumentos políticos e discursivos de pressão
Imigrante venezuelana tenta exibir bandeira do país ao presidente Donald Trump, durante cerimônia em que o presidente rump virou nome de rua em Palm Beach, na Flórida: intervenção no país foi uma advertência quanto à manutenção do poder estadunidense na América Latina, e um laboratório para testar até onde alcança o “big stick” da Doutrina Donroe.
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Invasão do país sul-americano expõe de forma contundente a distância entre a retórica normativa da política externa dos EUA e a prática de um poder que se autoriza a violar, quando lhe convém, as regras elementares do direito internacional
Apoiadores do governo rasgam uma bandeira americana ao meio durante um protesto em Caracas.
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A novidade do episódio atual na Venezuela está na combinação de um gesto militar espetacular com uma narrativa de “administração” direta da “transição” no país
Lula, Trump e a implosão do multilateralismo: processo de erosão do espaço diplomático brasileiro na questão da Venezuela já havia sido exposta anteriormente. Em maio de 2025, uma operação secreta dos EUA retirou, em poucas horas, cinco opositores do governo Maduro que estavam refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, então sob tutela brasileira.
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Apesar de ambições declaradas de liderança regional e global, o Brasil demonstrou carecer de mecanismos eficazes de antecipação de crises, inteligência integrada e protocolos claros de resposta a eventos de alta complexidade estratégica
Já houve dias melhores: o presidente venezuelano Nicolas Maduro, à esquerda, em reunião com o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã, em 22 de outubro de 2016.
Gabinete do Líder Supremo do Irã, via AP
Talvez ninguém fora da Venezuela deva se preocupar mais com a invasão dos EUA e o sequestro do presidente Nicolás Maduro do que o líder supremo da República Islâmica do Irã, Ali Khamenei
Um oficial militar venezuelano conforta a mãe de um soldado morto durante o ataque que levou ao sequestro do presidente Nicolás Maduro, em Caracas: no século XXI, a hegemonia não deverá mais ser medida pelo consenso multilateral, por acordos comerciais ou pelo “soft power”, mas pela capacidade de neutralizar defesas alheias e expropriar recursos sob o pretexto de guerras morais fabricadas.
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A operação “Absolute Resolve” usou o tabuleiro marítimo como plataforma para rasgar o direito internacional, estabelecendo um precedente perigoso em que a força bruta se apresenta como o único árbitro efetivo das relações entre Estados
A reorganização dos contratos petrolíferos internacionais dos EUA é um elo crucial entre a disputa econômica e a escalada política que desaguaram no ataque à Venezuela. Ao resistir à pressão das sanções econômicas, garantir a sobrevivência dos canais de escoamento do seu petróleo e consolidar a presença chinesa nesse processo, Caracas desafiou diretamente a hegemonia dos Estados Unidos no hemisfério. Esgotadas suas opções indiretas, Washington recorreu ao controle territorial direto como recurso final.
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Edna Aparecida da Silva, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU)
Atitudes de Washington deixam claro que, diante da expansão chinesa e da persistência de projetos soberanos que contrariam seus interesses, os EUA estão dispostos a impor pela força os limites da autonomia estatal permitida na região