A imagem icônica do subcomandante Marcos, líder do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), movimento mexicano precursor do uso de redes digitais para divulgar e fortalecer mobilizações sociais, em meados dos anos 90: de lá para cá, as redes sociais foram cooptadas e usadas como poderosas ferramentas de geração de receita, captura ideológica e controle, baseadas na manipulação algoritmica.
Imagem: Wikipedia
Mais de 30 anos após o início da sua popularização, a internet derivou de esperança de democratização do acesso à informação para ferramenta digital de controle social. Mas tudo ainda pode mudar
Os resultados do levantamento revelaram baixa transparência em praticamente todos os aspectos avaliados: dados incompletos ou ausentes, falhas nas bibliotecas de anúncios, pouca clareza sobre financiamento e segmentação e ausência de padrões que permitam comparações consistentes entre as plataformas.
Imagem: Eleven Labs
R. Marie Santini, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Adriano Belisário, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Bruno Mattos, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Danielle Pinho, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Debora Salles, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), and Hugo Leal, University of Cambridge
Questão é ainda pior no Brasil, onde o debate regulatório sobre elas permanece incipiente
Imagem de Donald Trump publicada na conta do X da Casa Branca em 2025: propagandas com mensagens de baixa qualidade geradas por IA inundam as redes sociais, em uma sobrecarga de informações que limita a capacidade de análise crítica dos usuários.
Wikimedia Commons.
Ruben Interian, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Uma reflexão sobre o poder dos algoritmos, os vieses das plataformas, o protagonismo crescente da IA, e os desafios da regulação das redes sociais
Proteger sem excluir nem vigiar: Debate sobre o ECA Digital exige mais do que soluções meramente técnicas, precisa de articulação entre academia, sociedade civil, especialistas e poder público para implementar sistemas de verificação etária e também definir como a sociedade brasileira pode garantir os direitos das crianças sem criar novos riscos.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
A lei reconhece o ambiente digital como parte da vida cotidiana de crianças e adolescentes e determina que, até março de 2026, o Brasil deve adequar mecanismos de verificação etária, privacidade e segurança
Corrida ao fundo do poço: o controle cada vez maior e danoso das redes sociais sobre o comportamento humano é culpa das pessoas ou dos algoritmos? A verdade está em algum lugar mais complexo, no meio do caminho.
Ilustração: Envato Labs
A radicalização induzida pelos algoritmos já faz a vida digital controlar a vida real. A retomada do controle dos nossos territórios existenciais é essencial para construir infraestruturas digitais capazes de proteger as democracias de decisões inimputáveis de Big Techs e seus aliados autocráticos
Perfil da “Dra. Rosemary Galbraith” no Facebook: um exemplo de almanaque das fraudes cada vez mais sofisticadas que usam a Inteligência Artificial para ludibriar clientes, que podem perder não apenas tempo e dinheiro, mas a própria vida, com promessas falsas de curas e tratamentos milagrosos.
Reprodução/ The Record
Ergon Cugler, Fundação Getulio Vargas (FGV) and Camila Modanez, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Com as novas ferramentas, qualquer rosto ou voz pode ser sequestrado. Qualquer autoridade médica, jornalística ou científica pode ser falseada para vender produtos e tratamentos fraudulentos, colocando até a vida das vítimas em risco.
As redes sociais coletam dados da nossa navegação como intuito principal de refinar um perfil comercializável de cada um de nós. Quem está nesses bancos de dados nem faz ideia que está sendo comercializado como produto.
Foto: Envato Labs
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Decisão do Supremo Tribunal Federal aproxima o Brasil de legislações internacionais e obriga redes sociais a removerem conteúdos ilícitos de forma proativa. Congresso, no entanto, se mantém ausente do debate
Com mochilas infantis representando o perigo da circulação de conteúdos de ódio entre crianças, ativista protesta em frente ao Congresso Nacional, em dezembro de 2024. Ele pedia a aprovação da Lei das Fake News, que naufragou e agora corre o risco de se transformar em uma legislação inócua.
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
Marcelo Träsel, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Se aprovado com o texto atual, o Projeto de Lei 4691/2024 será pouco ou nada útil no combate às fake news
Discussão sobre quem deve ser responsabilizado por conteúdos danosos que circulam na internet segue judicializado no STF, num debate intensificado pela pressão crescente das empresas que controlam as redes sociais.
Lauro Accioly Filho, Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
A ausência ou demora na colaboração de algumas plataformas digitais com processos de responsabilização por danos causados por conteúdos publicados em redes sociais tem intensificado o debate público sobre o assunto
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), do Brasil, inspirou-se no Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), da União Europeia, no esforço de equilibrar inovação com regulamentação dentro do atual cenário geopolítico mundial, e que enfrenta forte resistência dos Estados Unidos.
Imagem: Freepik
Adoção pelo Brasil da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) seguiu linha regulatória criada na União Europeia, na tentativa de equilibrar inovação e regulamentação, num cenário geopolítico cada vez mais complexo
Abordagem concentrada no comportamento - como as pessoas interagem, e não no que elas dizem, ou nas suas conexões - ajuda a revelar usuários mal intencionados e é mais difícil de ser driblada com estratégias como uso de palavras codificadas.
ginger_polina_bublik/Shutterstock
Marian-Andrei Rizoiu, University of Technology Sydney; Lanqin Yuan, University of Technology Sydney, and Philipp Schneider, EPFL – École Polytechnique Fédérale de Lausanne – Swiss Federal Institute of Technology in Lausanne
Um estudo de aprendizado de máquina com milhões de publicações online encontrou cinco tipos básicos de usuários, incluindo os “discordantes”, que gostam principalmente de contradizer os outros.
O impacto das plataformas digitais na sociedade contemporânea vai além das dinâmicas econômicas. No âmbito social, elas reconfiguram as interações humanas e os processos de formação de opinião.
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A necessidade de regulamentação implica estabelecer regras de convivência em um ambiente descontrolado ou sujeito apenas ao controle privado, não necessariamente comprometido com os valores republicanos que deveriam guiar a vida pública
Podcasting como modalidade radiofônica libertou o rádio da “prisão” do ao vivo e, vinculado a uma lógica ativista, trouxe profundas reconfigurações no mercado da comunicação de massa de base sonora.
savconstantine/Unlimphotos
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Professor de jornalismo de dados e digital e mestre em Divulgação Científica e Cultural, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)