O árbitro Omar Artan é recebido em Mogadíscio, na Somália, depois que as autoridades americanas negaram sua entrada no país para a Copa do Mundo: EUA estão passando por um retrocesso democrático e alguns torcedores têm medo de ir assistir aos jogos e serem detidos e deportados pelo ICE.
SAID YUSUF WARSAME/EPA
Em vez de unir as pessoas, a Copa do Mundo de 2026 corre o risco de ser lembrada pelo clima de exclusão e medo gerado pelos EUA, um dos países anfitriões
Retrato de uma mucama do Rio de Janeiro, em fotografia de Revert Henry Klumb, de 1860: apesar de serem invisibilizadas como protagonistas na nossa história literária, as trabalhadoras domésticas sempre figuraram em descrições de espancamento por patrões. Há exemplos em obras de Machado de Assis do poeta Jorge de Lima, entre outros. Mas essa invisibilidade começa a ser combatida pela literatura contemporânea.
Coleção Ruy Souza e Silva, Museu Afro Brasil
Apesar de serem praticamente invisibilizadas na nossa história literária, as trabalhadoras domésticas sempre figuraram em descrições de espancamento por patrões
Mulher transgênero participa de manifestação pelo Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres: interpretações estritas de gênero trazem o risco de excluir populações vulneráveis de proteções essenciais, incluindo mulheres cis e heterossexuais.
Camilo Freedman/APHOTOGRAFIA/Getty Images)
Jenna Norosky, Binghamton University, State University of New York
EUA e até algumas vozes na ONU defendem uma interpretação restrita de gênero, alinhando-a com o sexo atribuído no nascimento, o que pode colocar grupos vulneráveis em risco
O vínculo entre pessoas com diferentes racialidades está longe de ser um espaço livre de assimetrias.
Imagem: Envato
Relações heterossexuais entre pessoas brancas e pretas são marcadas por tensões, hierarquias e silenciamentos
Agentes federais de imigração prendem mais um morador durante a escalada de repressão que ocorre desde o começo de 2026 em Minneapolis: a percepção falsa de que imigrantes - sobretudo latino-americanos - são responsáveis pelo crescimento das taxas de criminalidade e por uma suposta periculosidade social sustenta uma retórica securitária que legitima investimentos massivos em aparatos tecnológicos de vigilância e controle fronteiriço.
Lauro Accioly Filho, Universidade Estadual Paulista (Unesp)
A narrativa de que imigrantes irregulares cometem mais crimes não encontra respaldo nos dados estatísticos de criminalidade dos EUA. Ao contrário, os dados mostram que esse grupo apresenta índices de envolvimento criminal inferiores aos da população nativa
Mulheres congolesas durante um protesto contra a xenofobia e a violência sobre imigrantes no Rio de Janeiro: no Congo, o sistema de saúde funciona mediante pagamento após a consulta, e casos graves são absorvidos pelo Estado. Já no Brasil, apesar de gratuito, o SUS tem uma lógica burocrática que confunde essas mulheres. Muitas não entendem por que precisam esperar tanto tempo por uma consulta urgente. E a barreira da língua muitas vezes as impede de compreender o que está acontecendo.
Imagem: Arquivo / AP Photo
Depois de deixarem a África por conta de conflitos armados e violência política, refugiadas do Congo enfrentam descaso, barreira linguística, racismo e desigualdade de gênero no acesso aos serviços de saúde do SUS
Trump, Robert F. Kennedy Jr. e o administrador da Medicaid, Mehmet Oz, anunciam a falácia do Tylenol: atitude reforça globalmente a perigosa lógica patologizante em relação às deficiências, problema que já encontra ressonância no Brasil.
Anúncio do presidente americano não é Ciência. Ao chamar uma simples associação de causalidade direta, ele promove um espetáculo global de medo e preconceito contra uma condição que sequer é uma doença, tampouco precisa de cura
Os ambientes digitais são um dos principais canais por onde o racismo é praticado intensamente, e em formatos que desafiam os atuais modelos de controle e punição dos agressores.
Unsplash
O racismo que afeta a população no Brasil e no mundo está cada vez mais presente e insidioso no ambiente digital, onde é mais difícil identificar de onde partem as ofensas.
Vinícius durante o último amistoso do Brasil com a Espanha, em março: jogo marcado por tensões com o jogador dentro e fora do campo, por conta do racismo que ele denuncia.
AP Photo/Jose Breton
A via crucis racial do craque brasileiro nos estádios da Espanha impõe uma indagação: porque logo ele foi o “escolhido” pelos racistas das arquibancadas?
Médica psiquiatra e Doutoranda em Ciências Humanas e Saúde pelo Instituto de Medicina Social IMS Hesio Cordeiro (IMS), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Lauro Accioly Filho
Doutorando no Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Relações Internacionais – San Tiago Dantas, Universidade Estadual Paulista (Unesp)