Um menino que estava no grupo que chegou a nado à Ceuta implora ao soldado espanhol para não ser mandado de volta ao Marrocos: disputa de narrativas sobre a tragédia não aborda o sofrimento de quem a viveu, mas o controle sobre o sentido político do acontecimento. E é essa disputa — mais do que os números — que merece a atenção de quem estuda fronteiras e justiça social.
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A busca dos culpados pelas 70 mortes ocorridas quando milhares de jovens atravessaram a nado o trecho que separa o Marrocos do enclave espanhol de Ceuta diz mais sobre a política de fronteiras europeia do que sobre quem “abriu a torneira” que resultou na tragédia
O árbitro Omar Artan é recebido em Mogadíscio, na Somália, depois que as autoridades americanas negaram sua entrada no país para a Copa do Mundo: EUA estão passando por um retrocesso democrático e alguns torcedores têm medo de ir assistir aos jogos e serem detidos e deportados pelo ICE.
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Em vez de unir as pessoas, a Copa do Mundo de 2026 corre o risco de ser lembrada pelo clima de exclusão e medo gerado pelos EUA, um dos países anfitriões
A apresentação do porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Super Bowl ofuscou o jogo e atraiu a atenção do mundo para a autencidade da cultura dos povos das Américas Central, do Norte e do Sul, e dos imigrantes dessas regiões que vivem nos EUA.
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A apresentação de Bad Bunny demonstrou como a autenticidade pode ser produzida por meio do ativismo anticolonial
Moradora de Minneapolis tem a porta de casa arrombada por agentes do ICE, que no dia 11 de janeiro levaram seu marido, um imigrante da Libéria em situação regular nos EUA, para um presídio em El Paso, Texas: dependendo da região em que moram no estado de Minnesota, imigrantes africanos, brasileiros e latinos em geral vivem experiências mais ou menos aterrorizantes na caçada aleatória dos agentes federais a estrangeiros e suas famílias.
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As operações dos agentes de imigração têm mudado a rotina em muitos lugares nas Twin Cities (a região metropolitana de Minneapolis e Saint Paul) e em outras cidades pelos estado
Agentes federais de imigração prendem mais um morador durante a escalada de repressão que ocorre desde o começo de 2026 em Minneapolis: a percepção falsa de que imigrantes - sobretudo latino-americanos - são responsáveis pelo crescimento das taxas de criminalidade e por uma suposta periculosidade social sustenta uma retórica securitária que legitima investimentos massivos em aparatos tecnológicos de vigilância e controle fronteiriço.
Lauro Accioly Filho, Universidade Estadual Paulista (Unesp)
A narrativa de que imigrantes irregulares cometem mais crimes não encontra respaldo nos dados estatísticos de criminalidade dos EUA. Ao contrário, os dados mostram que esse grupo apresenta índices de envolvimento criminal inferiores aos da população nativa
“Ocupação militar”: agentes federais prendem uma moradora de Minneapolis no último dia 13 de janeiro de 2026, próximo de onde Renee Good foi baleada: mesmo depois das evidências de assassinato, governo envia mais policiais e soldados a Minnesota, escalando a intensidade dos protestos e a represssão nas ruas.
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Brasileiro professor de ciência política em Minnesota e integrante de grupos que monitoram ações do ICE explica os fatos que levaram à escalada de violência de forças do governo federal contra moradores
Mulheres congolesas durante um protesto contra a xenofobia e a violência sobre imigrantes no Rio de Janeiro: no Congo, o sistema de saúde funciona mediante pagamento após a consulta, e casos graves são absorvidos pelo Estado. Já no Brasil, apesar de gratuito, o SUS tem uma lógica burocrática que confunde essas mulheres. Muitas não entendem por que precisam esperar tanto tempo por uma consulta urgente. E a barreira da língua muitas vezes as impede de compreender o que está acontecendo.
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Depois de deixarem a África por conta de conflitos armados e violência política, refugiadas do Congo enfrentam descaso, barreira linguística, racismo e desigualdade de gênero no acesso aos serviços de saúde do SUS
Mamdani durante o discurso da vitória em Nova York, onde mandou recados diretos a Donald Trump: o novo prefeito muçulmano da cidade mais multicultural do país se apresenta como um “socialista democrata” e teve uma campanha marcada pelo carisma, uso das redes sociais e jovialidade. Fez ótimo uso das ferramentas digitais, com propostas que sinalizam por justiça social, tanto no âmbito da redistribuição de renda como no da representatividade.
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Para além da multiculturalidade e da defesa dos imigrantes, o novo prefeito de Nova York também faz promessas econômicas que teriam impactos positivos para as classes trabalhadoras nos Estados Unidos - como fez Donald Trump
Algemados e curvados: foto mostra as condições desumanas nas quais os 250 deportados venezuelanos chegaram à prisão em El Salvador.
Foto: Presidência da República de El Salvador
El Salvador já possui a maior taxa de população carcerária do mundo, e o governo dos EUA pretende aumentar ainda mais esse número.
Os imigrantes nos EUA chegam cada vez mais como as pessoas vistas nesta foto: buscando asilo em uma passagem de fronteira formal, em vez de tentarem atravessar a fronteira às escondidas.
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Em 2023, aproximadamente 51 milhões de pessoas nascidas no exterior viviam nos Estados Unidos. Quase três quartos estavam no país legalmente. Metade do restante tinha alguma proteção legal contra deportação
Existe uma tensão fundamental entre os poderes estaduais e federal nos Estados Unidos que ainda não foi resolvida, e pode ser agravada pelas novas determinações da administração Trump contra imigrantes ilegais.
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Se um promotor federal colocar um governador na cadeia por descumprimento de ordem superior, conflito constitucional se tornará claro e vai suscitar embates judiciais
As políticas anti-imigração foram um dos principais pontos de discussão dos candidatos republicanos.
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Os Estados Unidos têm um longo histórico de uso indevido da genética e da biologia na política de imigração, cujos efeitos ainda são sentidos com intensidade atualmente
Discurso pró-deportações durante a campanha de Trump no Colorado, em outubro: caso se concretizem, elas afetariam drasticamente a economia do México e outros países latinos, mas também a dos EUA. Além dos custos de implementação, o país perderia 5% de sua força de trabalho, atualmente nas costas dos indocumentados.
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Caso se concretizem, as deportações afetariam drasticamente a economia do México e outros países latinos, mas também a dos EUA. Além dos custos de implementação, o país perderia 5% de sua força de trabalho, atualmente nas costas dos indocumentados
Com a taxa de crescimento populacional negativa, em breve a China deve perder o posto de país mais populoso do mundo para a Índia.
Andy Wong/ASSOCIATED PRESS
Desde 2022, o índice de nascimentos é menor que o de. mortes na China. Com a população encolhendo, as taxas de crescimento econômico podem cair a médio e longo prazo.
Médica psiquiatra e Doutoranda em Ciências Humanas e Saúde pelo Instituto de Medicina Social IMS Hesio Cordeiro (IMS), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Lauro Accioly Filho
Doutorando no Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Relações Internacionais – San Tiago Dantas, Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Doutora e mestre em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas e pesquisadora I no Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais, Universidade Estadual Paulista (Unesp)