Fogo na floresta do município amazonense de Careiro Castanho: a Amazônia não é mais impenetrável ao fogo. As mudanças climáticas geram parte dessas alterações, mas não são as únicas responsáveis. O fogo na região é sintoma de uma degradação anterior, e não há uma causa isolada. Há décadas, por exemplo, a transformação da floresta em pastagem e a exploração madeireira vêm contribuindo para deixar a Amazônia mais vulnerável.
AP Photo/Edmar Barros
Ima Vieira, Finep - Financiadora de Estudos e Projetos
A Amazônia não evoluiu com o fogo. Estudos de longa duração mostram que a floresta rebrota depois de queimar, mas por trajetórias que a empobrecem e que comprometem a vida de quem depende dela
Provavelmente da espécie Stupendemys geographicus, o fóssil descoberto em 2025 está em fase de preparação e estudo. O animal é considerado a maior tartaruga de água doce do mundo, que viveu entre 10,8 milhões e 8,5 milhões de anos atrás, durante o período conhecido como Mioceno.
Foto: Equipe USP/UFAC/Unicamp
Prontos para encontrar fósseis de pequenos animais, equipe não estava preparada para se deparar com a enormidade daquela descoberta: uma tartaruga que deve ter tido cerca de 2 metros de comprimento
Durante workshop em Belém pesquisadores nacionais e internacionais trabalharam com análise de dados, sensoriamento remoto, inteligência artificial e modelagem ecológica para debater o futuro da Amazônia.
Foto disponibilizada pelos autores
Parceria entre UFPA e University of Michigan traz pesquisadores com diferentes expertises para as discussões sobre a capacidade da Amazônia de resistir às mudanças climáticas
Estudos deixam cada vez mais claro que o tamanho da árvore não está diretamente relacionado à sua vulnerabilidade ao estresse hídrico e que não existe uma regra única para prever as respostas das florestas às secas.
Chui Wui Jing/Shutterstock
Os ecologistas achavam que as árvores maiores seriam as mais vulneráveis às secas, mas a realidade é mais complexa, com algumas gigantes da floresta se mostrando inesperadamente resistentes
Numa conversa com a editora do TC Brasil Monica Tarantino, o pedagogo e intérprete Takakpe Mẽtyktire, neto de Raoni, fala sobre o legado do avô na luta pelos direitos dos povos indígenas e revela: aos 93 anos e com a saúde fragilizada, o grande líder Kaiapó preocupa-se com a continuação do ativismo indígena pelas gerações mais novas de seu povo, enquanto ainda espera pela demarcação da Terra Indígena Kapoto-Nhĩnore, onde nasceu.
AP Photo/Bob Edme
Nossa equipe entrevistou o neto do líder Kaiapó, que aos 93 anos, internado no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ainda tem muito a dizer, enquanto espera pela demarcação de seu território
Amazônia precisa de um novo arranjo para sua ciência: mais integrado, mais estável e liderado por instituições, pesquisadores e pesquisadoras, e povos da própria região.
Fernando Sette / Agência Pará
Em meio à crise climática, desafio dos cientistas da Amazônia é transformar discursos em estruturas permanentes de pesquisa, governança e financiamento, lideradas por pessoas e instituições da região
A neblina amazônica contém muito mais do que apenas água: ela pode representar a conexão entre atmosfera, biodiversidade e funcionamento dos ecossistemas amazônicos.
Bruna Sebben
Bruna Sebben, Universidade Federal do Paraná (UFPR)
A floresta suspensa no ar guarda uma mistura complexa: bactérias, fungos, grãos de pólen e fragmentos microscópicos de matéria orgânica, que são um componente pouco conhecido da biodiversidade amazônica
Nativo da Europa, Ásia e África, o javali tornou-se um problema no Brasil, associado à destruição de lavouras, predação de animais nativos e de criações, impedimento da regeneração da vegetação e transmissão de doenças.
Stevan Mondoloni
Javali, leucena e braquiárias mostram como invasões biológicas podem afetar florestas, rios, produção agrícola, restauração ecológica e políticas de conservação na Amazônia Legal
Campus da UNIFESSPA (Universidade Federaldo Sul e Sudeste do Pará), uma das mais novas instituições de ensino superior da Amazônia: universidades da região atendem majoritariamente estudantes em vulnerabilidade socioeconômica, que precisam de políticas de incentivo consistentes para permanecerem nos bancos escolares.
Foto: Divulgação / UNIFESSPA
A Carta de Marabá, assinada este mês por reitores de universidades federais da região, estabelece como prioridade máxima a recomposição permanente do orçamento da Política Nacional de Assistência Estudantil, para garantir a permanência de estudantes indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e de populações do campo no ensino superior
Muitos sistemas sociais, assim como os da natureza, têm pontos de inflexão, o que significa que não precisamos convencer todo mundo a fazer a coisa certa, mas um número suficiente de pessoas para fazer o sistema mudar na direção certa.
Tarcisio Schnaider/Shutterstock
Não precisamos convencer todo mundo a fazer a coisa certa. Basta convencermos um número suficiente de pessoas para que o sistema mude na direção certa
Chuvas na Amazônia: estudo om participação de pesquisadores de cinco países investigou como as mudanças climáticas globais e os padrões regionais de uso da terra interagem para influenciar os padrões de precipitação na região sul do bioma até o ano de 2050.
Foto: Fapesp Pesquisa / Rogerio Assis
Estudo com pesquisadores diversos países revelou que as alterações no clima deixam o equilíbrio pluviométrico ainda mais vulnerável às mudanças no uso do solo na Amazônia
A falta de acesso a informações sobre a Amazônia pela população local traz consequências diretas sobre a capacidade dessas comunidades de se organizar e defender seus territórios.
Nareeta Martin/Unsplash
Mathias-Felipe de-Lima-Santos, UNSW ; Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Universitat Pompeu Fabra; Macquarie University and Isabella Gonçalves, Johannes Gutenberg University of Mainz
Pesquisa mostra que tipo de informação as comunidades amazônicas querem receber para entender e reagir às ameaças aos seus territórios
Apesar da convicção de que a inclusão digital é de fundamental importância para os indígenas e deve continuar, já se constata que o uso intensivo de dispositivos móveis e outros equipamentos sem a mediação adequada já afeta jovens indígenas com problemas como hiperestimulação e alterações comportamentais.
Foto: Neto Lucena / Secretaria de Comunicação do Estado do Acre
Embora possa promover inclusão e acesso à informação, tecnologia também pode gerar dependência e impactar a identidade cultural de comunidades indígenas
Morador de uma comunidade ribeirinha carrega alimentos e recipientes com água potável no leito seco do Rio Amazonas, durante o El Niño de 2023-24: calor extremo atuou junto com a seca, intensificando a perda de água do solo, dos rios e da vegetação para a atmosfera.
Foto AP / Edmar Barros
Na região Norte, o El Niño mais recente mostrou algo além da falta de chuva. O calor extremo atuou junto com a seca, intensificando a perda de água do solo, dos rios e da vegetação para a atmosfera
Estudos preliminares mostram que o suco clarificado de açaí, o fruto símbolo da Amazônia, traz efeitos antidepressivos e combate o estresse oxidativo, além das já conhecidas propriedades anticancerígenas, cardioprotetoras e neuroprotetoras.
Foto: Envato / Alexandre Ruiz
A ciência começa a mostrar a potencial ação do açaí contra ansiedade e depressão em adolescentes, efeitos que as comunidades ribeirinhas já conhecem há tempos
Vista aérea do “trecho central” da rodovia BR-319, que liga a comunidade de Igapó Açu ao distrito de Realidade, no sul do Amazonas.
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress
Expulsão de povos indígenas de seus respectivos territórios gera degradação ambiental e dos conhecimentos ancestrais.Mas reverter esse processo é possível, com benefícios sociais e ambientais
Os cursos d'água cercados de vegetação dos igarapés sustentam a alta diversidade de insetos, peixes e microrganismos da Amazônia. A retirada da vegetação ciliar reduz a entrada de folhas e matéria orgânica nos corpos d’água, prejudicando o ciclo de vida dos insetos e desequilibrando a cadeia alimentar.
Foto: Fernando Cunha, via Wikipedia
Gabriel Cruz, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Síntese da Biodiversidade Amazônica (INCT-SinBiAM)
Estudo mostra que a remoção da vegetação ciliar, nas margens dos rios e igarapés, ocorre uma mudança clara na base alimentar desses ecossistemas
Mosca sarcosaprófaga: para compreender esses pequenos organismos, precisamos levar a pesquisa para regiões distantes e ainda pouco conhecidas, onde grande parte da biodiversidade permanece invisível para a ciência.
Foto: Wikipedia
Estudar grupos não carismáticos é fundamental para uma visão mais realista da biodiversidade: a Amazônia não é feita apenas de espécies emblemáticas, mas de milhares de organismos que sustentam o funcionamento da floresta
O Campus da Universidade Federal do Pará (UFPA): um dos maiores produtores de conhecimento sobre a Amazônia do mundo está entre as instituições científicas da região que sofrem com a distribuição desigual de verbas para pesquisa, que muitas vezes inclui cortes de financiamentos de projetos já aprovados e em andamento.
Imagem: Divulgação / UFPA
Pós-Doutora em Financiamento Climático pela Columbia University e Professora da Universidade Federal do Pará e do Centro Universitário do Estado do Pará., Universidade Federal do Pará (UFPA)