O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nas Nações Unidas: movimentos políticos brasileiros, tanto de esquerda quanto de direita, disputaram a liderança nacionalista ao longo do século XX atribuindo significados muito diferentes a conceitos como soberania e interesse nacional.
Chip Somodevilla/Getty Images
A disputa entre o presidente em exercício e Flávio Bolsonaro faz parte de uma divisão entre a direita e a esquerda em torno do significado da Nação que vem de décadas no país
Enquanto os índices de abstenção tendem a crescer entre os segmentos mais jovens, a população idosa dá demonstrações consistentes de disciplina cidadã. No Brasil, estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral apontam o crescimento sustentado do eleitorado com mais de 60 anos, que já ultrapassa 15% do total de inscritos. E como a expectativa de vida das mulheres é maior, elas são maioria absoluta na faixa de 60 anos ou mais em toda a América Latina e no Brasil. Esse predomínio numérico se traduz em um protagonismo político sem precedentes.
Foto: Luiz Roberto/TSE
Silvia Lilian Ferro, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
No Brasil e em grande parte da América Latina, eleitores maduros deixam de ser coadjuvantes e caminham para se tornar o fiel da balança eleitoral. Um fenômeno político que deve ser mais compreendido
Incêndio em terras indígenas no Tocantins, em maio de 2026: apesar dos evidentes efeitos do aquecimento global e do super El Niño, dos 13 planos de governo disponibilizados por candidatos à presidência ao TSE este ano, seis não citam em nenhum momento a palavra “natureza”. Destes, em dois a expressão “meio ambiente” também está ausente.
Tema fundamental para nosso futuro, ambiente não é sequer mencionado em vários dos programas de governos dos candidatos à presidência nessa eleição
O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, discursa durante o último Congresso Pan-Americano, em Montevidéu: criado em 2024 em Bogotá e repetido em 2025 no México, o fórum busca um diálogo mais equilibrado entre norte e sul, num momento em que a direita ocupa a maior parte dos governos democráticos das Américas.
Foto: Divulgação /Congresso Pan-Americano
O encontro uruguaio enfatizou a democracia, teve mulheres à frente da organização e debateu o trabalho de cuidado, a regulação das grandes empresas de tecnologia e uma política industrial verde
Em março de 2026, o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), atual candidato à Câmara dos Deputados, montou uma tenda no campus da USP e, cercado de câmeras, fez discursos inflamados contra o aborto e sobre outros temas de sua pauta eleitoral, gerando confusão, feridos e grande repercussão na mídia. Transformar a universidade em problema tornou-se uma maneira de investir politicamente nela, com interesses midiáticos e eleitorais.
Álex Kalil, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Transformar a universidade em problema tornou-se uma maneira de investir politicamente nela, com interesses midiáticos e eleitorais
O atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que foi precedido por Arthur Lira (2021-2025) e Rodrigo Maia (2016-2021), todos políticos profissionais: a campanha antipolítica de 2018 mudou a composição da Câmara sem desfazer a sua hierarquia interna e a concentração de poder.
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Gabryela Gabriel, Universidade Federal do Paraná (UFPR) and Adriano Codato, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
Estudo mostra que a promessa de que a antipolítica varreria os políticos profissionais do ofício e devolveria a representação àqueles que combatiam “o sistema” não aconteceu na prática: o núcleo de parlamentares que ocupa cargos importantes no Legislativo continua o mesmo
Negativização eleitoral: na mensuração dos afetos políticos, aumenta a indiferença.
Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
Jairo Pimentel, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Também cresceu o número de eleitores que rejeitam um dos campos ideológicos sem mostrar vínculo positivo com o outro. O que sugere que a rejeição ganhou peso próprio e também passou a organizar a relação dos cidadãos com a política
Brasileira se aproxima de uma cabine de votação em Lisboa, nas eleições de 2022: é notável o crescimento do registro de eleitores brasileiros residentes no exterior nos últimos anos. Passou de 500.727 pessoas em 2018 para 697.078 em 2022 - um aumento de 39,21%. Para as eleições de 2026, a expectativaé de crescimento ainda maior.
Foto: Tribunal Superior Eleitoral
Teresa Cristina Schneider Marques, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Mais de 900 mil eleitores que vivem fora do país estarão aptos a votar. Com abstenção cada vez menor, as campanhas começam a disputar o voto de quem vive fora do país
A poucos dias do início da campanha, funcionários do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul fizeram uma demonstração pública sobre o funcionamento e a inviolabilidade das urnas eletrônicas, que seguem entre as principais vítimas de campanhas de desinformação e descredibilização do processo eleitoral espalhadas pelas redes sociais.
Foto: Guilherme Lund/TRE-RS
O uso cada vez maior da IA generativa fez emergir novos riscos eleitorais que vão além da criação de peças sintéticas e falsas, e também alcançam a escolha de candidaturas, com possibilidade de ranqueamento e recomendação de voto
Uma pesquisa de opinião quantitativa tradicional, com mil entrevistados, custa cerca de R$ 150 mil e requer tempo para publicar o resultado. Pesquisas geradas por IA generativa, que simulam perfis de eleitores sem entrevistar ninguém de verdade, saem por uma fração desse valor e ficam prontas em minutos. Mas colocam em cheque a credibilidade de seus resultados, pois podem ser manipuladas por quem as encomendou.
Imagem meramente ilustrativa gerada por Inteligência Artificial via Eleven Labs
A promessa de eficiência, rapidez e baixo custo do uso de IA em pesquisas eleitorais esconde o risco de adulteração dos resultados em função dos interesse e quem as encomendou
O modelo atual de gestão cumpriu um papel importante na implantação e na expansão do SUS, mas já não responde mais às demandas de uma população que envelheceu, convive com doenças crônicas e precisa de uma rede articulada de cuidados.
Ilustração gerada por IA / Envato Labs
O modelo de financiamento existente hoje ainda é capaz de responder às necessidades do sistema de saúde brasileiro?
Iconografia usada nas páginas do governo federal bloqueadas em função do defeso: fenômeno causado por cautela excessiva com legislação eleitoral prejudica desnecessariamente quem trabalha com pesquisa de dados públicos.
Imagem: reprodução de internet
Na última semana, pesquisadores que procuraram, em sites oficiais, dados sobre desmatamento ou mortalidade infantil, por exemplo, encontraram uma mensagem inesperada: “conteúdo restrito”. Notícias do Ibama…
“O que faria você desistir imediatamente de votar em um candidato?”: essa foi a pergunta feita a seis perfis distintos de eleitores, que variavam de “lulistas” a “bolsonaristas convictos”. O resultado mostrou que a preocupação com a corrupção é um dos fatores mais preponderantes na possível decisão de mudança de voto.
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil, com edição de IA
Carolina de Paula, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
As respostas revelam que, por baixo de uma leitura apressada da polarização, ainda existe um conjunto de limites morais e institucionais que orienta a escolha eleitoral dos brasileiros.
Fortalecida desde a ascenção de Bolsonaro, a bancada BBB congrega políticos fisiológicos e integrantes das frentes parlamentares do agronegócio, dos evangélicos e da segurança pública,. Nas eleições de 2026, tudo indica que o grupo estará ao lado do indicado da família do ex-presidente.
Foto: Ascom / Congresso Nacional
Maioria dos integrantes da bancada BBB faz parte do chamado “Centrão”, ala fisiológica do Congresso que costuma apoiar o presidente de ocasião em busca de benesses políticas e econômicas
O Secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, conversa com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante encontro do G7 em maio de 2026: Rubio está à frente da decisão de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas transnacionais: medida cria uma zona cinzenta que pode colocar bancos, empresas, seguradoras, investidores, plataformas financeiras e fintechs sob escrutínio, com possível influência nas próximas eleições.
AP Photo/Michel Euler
A interferência externa contemporânea raramente aparece como fraude direta sobre urnas. Ela se manifesta por discursos, símbolos, redes sociais, pressão econômica, sanções, tarifas, reuniões seletivas e enquadramentos narrativos
Caráter transversal: a violência domina as preocupações dos brasileiros de todos os perfis eleitorais.
Imagem: Pesquisa Genial/Quaest (maio/2026)
Caio Cardoso de Moraes, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
O relatório Medo do crime e eleições 2026 (produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública - FBSP), publicado no início de maio, oferece um retrato sintomático do Brasil contemporâneo: 96,2% dos brasileiros…
Era para ser só mais um recall, mas virou arma política: como as reações à decisão da Anvisa sobre o detergente Ypê ilustram uma estratégia de descredibilização dos serviços públicos criada pela extrema-direita.
Foto: Folhapress / Aloisio Maurício
Era para ser só mais um recall, mas virou arma política: como as reações à decisão da Anvisa sobre o detergente Ypê ilustram uma estratégia de descredibilização dos serviços públicos criada pela extrema-direita
Flávio Bolsonaro, que visita neste dia 26 de maio a Casa Branca, em Washington, na esperança de encontrar-se com Donald Trump, segue trabalhando intensamente para tentar minimizar os estragos da comprovação de seu envolvimento próximo com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.
Foto: Gabriela Biló / Folhapress
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Percentualmente, parece haver mais eleitores defendendo sua permanência como candidato do que dispostos a votar nele em um eventual segundo turno contra Lula
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Tathiana Chicarino, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) and Priscila Silvério, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção
Jair Bolsonaro e sua indefectível “arminha”, durante a campanha de 2018: os candidatos “contra tudo isso que está aí” repetem-se historicamente na política brasileira.
AP Photo/Silvia Izquierdo
Adriano Codato, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) and Roberta Picussa, Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Ao analisar a votação entre 2002 e 2022, pesquisadores descobriram que os candidatos “anti-sistema” não são um evento esporádico, nem tampouco um sinal de mudança no panorama político-eleitoral nacional. Ao contrário, são um padrão
Cientista política e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), Universidade Federal do Paraná (UFPR)