O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nas Nações Unidas: movimentos políticos brasileiros, tanto de esquerda quanto de direita, disputaram a liderança nacionalista ao longo do século XX atribuindo significados muito diferentes a conceitos como soberania e interesse nacional.
Chip Somodevilla/Getty Images
A disputa entre o presidente em exercício e Flávio Bolsonaro faz parte de uma divisão entre a direita e a esquerda em torno do significado da Nação que vem de décadas no país
Enquanto os índices de abstenção tendem a crescer entre os segmentos mais jovens, a população idosa dá demonstrações consistentes de disciplina cidadã. No Brasil, estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral apontam o crescimento sustentado do eleitorado com mais de 60 anos, que já ultrapassa 15% do total de inscritos. E como a expectativa de vida das mulheres é maior, elas são maioria absoluta na faixa de 60 anos ou mais em toda a América Latina e no Brasil. Esse predomínio numérico se traduz em um protagonismo político sem precedentes.
Foto: Luiz Roberto/TSE
Silvia Lilian Ferro, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
No Brasil e em grande parte da América Latina, eleitores maduros deixam de ser coadjuvantes e caminham para se tornar o fiel da balança eleitoral. Um fenômeno político que deve ser mais compreendido
Marine Le Pen, filha do ex-líder extremista Jean Marie Le Pen, no dia da confirmação de sua candidatura à presidência da França para as eleições de 2027: mais um poderoso infgrdiente no caldo extemista que se espalha pela Europa e pelas Américas.
Felipe Calabrez, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
O que se observa hoje não é propriamente a retomada do tradicional populismo que é comum principalmente na América Latina, mas a apropriação seletiva de sua lógica pela extrema direita em todo o mundo
From right to left, Roberta Metsola, president of the European Parliament since January 2022, and Ursula von der Leyen, president of the European Commission since 2019.
European People's Party/Flickr
Pesquisa feita em Portugal, França, Irlanda, Itália e Espanha para a Comunidade Europeia mostra que candidatas a cargos políticos receberam mais ofensas pessoais e sexualizadas do que os homens. No Brasil, as postulantes de esquerda são principais alvos de agressividade
Em março de 2026, o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), atual candidato à Câmara dos Deputados, montou uma tenda no campus da USP e, cercado de câmeras, fez discursos inflamados contra o aborto e sobre outros temas de sua pauta eleitoral, gerando confusão, feridos e grande repercussão na mídia. Transformar a universidade em problema tornou-se uma maneira de investir politicamente nela, com interesses midiáticos e eleitorais.
Álex Kalil, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Transformar a universidade em problema tornou-se uma maneira de investir politicamente nela, com interesses midiáticos e eleitorais
Brasileira se aproxima de uma cabine de votação em Lisboa, nas eleições de 2022: é notável o crescimento do registro de eleitores brasileiros residentes no exterior nos últimos anos. Passou de 500.727 pessoas em 2018 para 697.078 em 2022 - um aumento de 39,21%. Para as eleições de 2026, a expectativaé de crescimento ainda maior.
Foto: Tribunal Superior Eleitoral
Teresa Cristina Schneider Marques, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Mais de 900 mil eleitores que vivem fora do país estarão aptos a votar. Com abstenção cada vez menor, as campanhas começam a disputar o voto de quem vive fora do país
A fronteira do município de Oiapoque, no estado brasileiro do Amapá, com Saint-Georges de l’Oyapock, uma das 22 comunas do estado ultramarino da Guiana Francesa: na América do Sul e no mundo, as divisões territoriais refletem não apenas características geográficas, mas resultam de processos históricos marcados por disputas regionais, interesses locais e dificuldades na centralização do poder.
Foto: Rádio França Internacional (RFI)
As divisões territoriaisnos Estados não são naturais ou permanentes, mas resultado de decisões políticas e de processos históricos
Francisco Carvalho é acusado de crimes de falsificação de documentos públicos e abuso de poder, peculato, recebimento indevido de vantagem, violação de norma de execução orçamental, atentado contra o Estado de direito e corrupção passiva.
Foto: Elton Monteiro / Agência LUSA
Luca Bussotti, Universidade Técnica de Moçambique (UDM)
Francisco Carvalho é acusado de crimes de falsificação de documentos públicos e abuso de poder, peculato, recebimento indevido de vantagem, violação de norma de execução orçamental, atentado contra o Estado de direito e corrupção passiva
Mulheres bolivianas reunem-se com governantes para debater leis de proteção contra violência política de gênero: a Bolívia foi o primeiro país do mundo a aprovar uma legislação específica sobre o tema, em 2012.
AP Photo/Juan Karita
Danielly Milano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP); Gabriela Kyrillos, Universidade Federal do Rio Grande (FURG), and Rosangela Schulz, Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
A violência política de gênero atinge ativistas, candidatas, detentoras de mandato, integrantes de suas equipes e até familiares. Levantamento cobriu todas as leis criadas sobre o tema na região entre 2012 e 2025
Unidade hospitalar vinculada à Ascispes (Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes), um dos mais relevantes consórcios públicos de saúde de Minas Gerais. Pesquisa sobre seus 25 anos de atuação mostrou que o sucesso institucional nem sempre reduz conflitos. Em determinadas circunstâncias, pode até ampliá-los. E só a cooperação intermunicipal é capaz de neutralizar as disputas políticas.
Foto: Acispes / Divulgação
Avaliação de 25 anos de atuação de um importante consórcio público de saúde em Minas Gerais mostrou que o sucesso institucional nem sempre reduz conflitos. Em determinadas circunstâncias, pode até ampliá-los
Fortalecida desde a ascenção de Bolsonaro, a bancada BBB congrega políticos fisiológicos e integrantes das frentes parlamentares do agronegócio, dos evangélicos e da segurança pública,. Nas eleições de 2026, tudo indica que o grupo estará ao lado do indicado da família do ex-presidente.
Foto: Ascom / Congresso Nacional
Maioria dos integrantes da bancada BBB faz parte do chamado “Centrão”, ala fisiológica do Congresso que costuma apoiar o presidente de ocasião em busca de benesses políticas e econômicas
Marco Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, no dia em que foi preso: terrorismo, segundo o direito brasileiro e o entendimento predominante na literatura criminológica, pressupõe motivação ideológica, política ou religiosa. Nem o PCC nem o Comando Vermelho se encaixam nesse critério. São organizações movidas por uma lógica econômica: controlam rotas de tráfico, dominam territórios urbanos e operam cadeias de abastecimento com eficiência empresarial.
Foto: Agência Brasil
Robson Rodrigues, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
A classificação anunciada pelos Estados Unidos ignora o que sustenta o crime organizado: armas sem controle e dinheiro sem rastro. É uma forma de criar novos problemas sem resolver os antigos
Os supostos crimes cometidos por ele teriam ocorrido nos anos 90, mas as acusações só foram apresentadas agora
Jovens fazem a saudação nazista, durante manifestação bolsonarista em São Miguel do Oeste, Santa Catarina, em 2023: criação de observatório ibero-americano busca diagnosticar dinâmicas de radicalização juvenil e promover respostas para esse fenômeno.
Imagem: Reprodução de TV
Criação de observatório ibero-americano busca diagnosticar dinâmicas de radicalização juvenil e promover respostas
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Tathiana Chicarino, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) and Priscila Silvério, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção
Jair Bolsonaro e sua indefectível “arminha”, durante a campanha de 2018: os candidatos “contra tudo isso que está aí” repetem-se historicamente na política brasileira.
AP Photo/Silvia Izquierdo
Adriano Codato, Universidade Federal do Paraná (UFPR); Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) and Roberta Picussa, Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Ao analisar a votação entre 2002 e 2022, pesquisadores descobriram que os candidatos “anti-sistema” não são um evento esporádico, nem tampouco um sinal de mudança no panorama político-eleitoral nacional. Ao contrário, são um padrão
Inversão de sentidos: se nas eleições de 2022 a esquerda soube convencer uma franja do eleitorado de que a reeleição de Jair Bolsonaro representava riscos à manutenção do regime, agora é o campo da direita — em especial a base bolsonarista — que denuncia os que “atentaram”, na visão desse segmento, contra a democracia.
Foto: Roque de Sá / Agência Senado
Foram analisados mais de quatro mil discursos realizados noplenário e nas comissões entre 2023 e 2026
Em 2026, o mundo observará as escolhas políticas brasileiras não apenas por curiosidade, mas pela percepção de que acontecimentos externos podem espelhar ou ser determinados por eventos ocorridos aqui.
Foto: Tribunal Regional Eleitoral do Sergipe
Chris Thornhill, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP)
As eleições brasileiras são, de certa forma, eleições globais. Cada decisão eleitoral representa uma escolha entre modelos de cidadania, soberania e ordem internacional. O que ocorrer no Brasil estabelecerá precedentes para outras sociedades
à resposta à pergunta acima deveria ser: a todos. Mas desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, vestir a camisa amarela da seleção brasileira ou sair às ruas coma bandeira nacional tornou-se equivalente a declarar posição ideológica alinhada a um grupo que, na prática, usa estes símbolos para legitimar projetos de poder político e eleitoral.
Às vésperas de mais uma campanha eleitoral, grupos políticos antagoônicos voltam a reivindicar para si as cores da bandeira brasileira
Bolsonaristas em manifestação nas ruas: estudos procuram entender se o fenômeno se consolidou ou não como um movimento de extrema direita no Brasil, e trazer pistas sobre se o projeto político associado a Jair Bolsonaro tem forças para sobreviver às suas próprias derrotas eleitorais e na Justiça.
Pesquisadores de Ciência Política procuram entender se o bolsonarismo se consolidou ou não como um movimento de extrema direita no Brasil, e trazer pistas sobre se o projeto político associado a Bolsonaro tem forças para sobreviver às suas próprias derrotas eleitorais
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Coordenadora Geral do Observatório Multilateral das Juventudes Frente ao Extremismo e professora de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais, PUC-Rio
Cientista política e pesquisadora de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), Universidade Federal do Paraná (UFPR)