Marine Le Pen, filha do ex-líder extremista Jean Marie Le Pen, no dia da confirmação de sua candidatura à presidência da França para as eleições de 2027: mais um poderoso infgrdiente no caldo extemista que se espalha pela Europa e pelas Américas.
Felipe Calabrez, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem)
O que se observa hoje não é propriamente a retomada do tradicional populismo que é comum principalmente na América Latina, mas a apropriação seletiva de sua lógica pela extrema direita em todo o mundo
Atiradores disfarçados flagrados por câmera de segurança no momento em que atiravam contra a ex-mulher de Fernando Cerimedo, na Bolívia: atuação do ex-estrategista político que tinha relações com Milei, Bolsonaro e outros políticos ultra conservadores revela que a rede de projetos da extrema-direita na América Latina não é apenas ideológica, mas sobretudo comercial.
Imagem: Reprodução de TV
Com atuação nas campanhas de Milei, Bolsonaro e outros expoentes de extrema-direita latino-americanos, Cerimedo operou redes de contas falsas e explorou algoritmos para disseminar narrativas falsas e influenciar eleições
Era para ser só mais um recall, mas virou arma política: como as reações à decisão da Anvisa sobre o detergente Ypê ilustram uma estratégia de descredibilização dos serviços públicos criada pela extrema-direita.
Foto: Folhapress / Aloisio Maurício
Era para ser só mais um recall, mas virou arma política: como as reações à decisão da Anvisa sobre o detergente Ypê ilustram uma estratégia de descredibilização dos serviços públicos criada pela extrema-direita
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção.
Imagem gerada por IA, via Envato Labs
Tathiana Chicarino, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) and Priscila Silvério, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Para as eleições deste ano, o PL investiu mais de R$ 16 milhões em candidaturas femininas conservadoras, cuja retórica não só não questiona as desigualdades e padrões patriarcais, como defende a sua manutenção
Manifestantes seguram cartazes satirizando o presidente Trump e o presidente argentino, Javier Milei, durante um protesto em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires: a difícil nova conjuntura mundial que se avizinha - especialmente para as sociedades latino-americanas - não pode levar ao imobilismo, e nem se pode menosprezar o potencial da população norte-americana de conter os excessos de seu atual governo.
AP Photo/Victor R. Caivano
Ameaças militares, diplomacia coerciva ou intervenções com o uso da força começam a se tornar “normais”, e o arcabouço de normas, princípios e direitos universais se esvai
Trump e Bolsonaro em encontro na Casa Branca, em 2019: a atual onda populista que se manifesta no mundo inteiro (a quarta da história contemporânea) é marcada por uma polarização política, social e afetiva que se alimenta mais do “gostar ou não gostar” do outro do que de divergências ideológicas concretas. E as ferramentas desse processo são a radicalização e o uso intensivo das redes sociais.
Foto: Vanessa Carvalho / Brazil Photo Press / Folhapress
Uso crescente das redes sociais na política e lógica do engajamento algorítmico levam a uma política cada vez mais personalizada, recheada de memes, ironias e insultos
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em vigília durante o julgamento que o condenou por tentativa de golpe de Estado: vestidosde verde-e-amarelo mas enrolados em bandeiras dos Estados Unidos, não se sabe ainda bem porquê… Estudo tomou o caso das eleições de 2022 nos EUA como base para uma investigação ampla, que mostra como a desinformação fragiliza a relação entre veículos de comunicação e suas audiências, e corrói a confiança no jornalismo.
AP Photo/Eraldo Peres
Campanhas de desinformação marcaram as eleições presidenciais de 2022, que depois de vencidas pela oposição foram alvo de uma tentativa de golpe, conforme sentenciou esta semana o próprio STF
Num contexto de desinformação e fake news produzidas nas sombras, o discurso de censura e perseguição contra extremistas como Jair Bolsonaro começa a fazer sentido para parte da opinião pública. Recente pesquisa do Datafolha, divulgada dias antes da ocupação do Congresso por políticos de extrema-direita, mostrou que 45% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente está sendo perseguido e injustiçado.
AP Photo/ Luis Nova
Em um contexto de desinformação, o discurso de censura e perseguição começa a fazer sentido, minando as instituições democráticas e favorecendo forças políticas interessadas em tomar poder sem respeito às normas do Estado de Direito.
O “8 de janeiro de paletó”: para libertar a democracia brasileira do cativeiro representado pela invasão da mesa diretora da Câmara, os extremistas exigiram impunidade total para si e seus aliados, além da punição a quem ousou investigá-los, julgá-los e condená-los.
Foto Agência Brasil / José Cruz
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Episódio desnudou a essência do fazer político da extrema-direita antidemocrática global na última década: sequestrar a democracia, fechar o regime e instaurar projeto autocrático, iliberal e populista.
Brasileiros apoiadores da extrema direita no Brasil seguram placas em inglês dando apoio às medidas de Trump que prejudicam o planeta inteiro, inclusive o Brasil, durante um ato de apoio ao ex-presidente do país e de protesto contra o STF, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no último domingo.
AP Photo/Bruna Prado
Danilo Sorato, Universidade Federal Fluminense (UFF)
A nova estratégia da extrema-direita é usar países aliados no exterior para pressionar e desestabilizar o Brasil, inclusive alardeando que a Eleição de 2026 não será reconhecida pelos EUA
Estudantes de diferentes origens e etnias celebram sua formatura em Harvard, nesta quinta-feira, 25 de maio de 2025. Resiliência de universidades e juízes de diferentes instâncias na defesa do cumprimento da lei tem dificultado a jornada autoritária do atual governo dos EUA, contra imigrantes e instituições universais de ensino e conhecimento.
AP Photo/Charles Krupa
É difícil prever até quando a musculatura das universidades e do judiciário conseguirá conter a sanha demolidora de Trump, sem uma rede unificada de resistência e o apoio explícito da população
O líder da CSU e governador do estado da Baviera, Markus Soeder (à direita) entrega um volante com o slogan “Colocando a Alemanha de volta no rumo certo” a Friedrich Merz, candidato da CDU a chanceler e presidente: coalizão entre os dois partidos de centro-direita venceu as eleições legislativas com 28% dos votos. Ultradireita ficou em segundo lugar.
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José Victor Ferro, Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas
A formação de uma “Grande Coalizão” entre União Democrata-Cristã (CDU) e União Social-Cristã (CSU), ambas de centro-direita, parece ser a solução mais provável para o próximo governo alemão.
Fragmentação da extrema-direita, isolamento de Jair Bolsonaro e um certo respiro para governo reorganizar sua coordenação política estão entre as possíveis consequências da denúncia contra o ex-presidente.
AP Photo/Luis Nova
Beto Vasques, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Acusações formalizadas pela PGR tiveram grande repercussão nacional e internacional, e produzirão forte impacto na agenda política brasileira de 2025. Veja algumas hipóteses sobre o que pode acontecer
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, autor das denúncias apresentadas ao STF: julgamento do ex-presidente não representará só a possível punição dele e dos demais envolvidos, mas a definição de até onde vai a tolerância institucional a um movimento político que tentou a ruptura democrática.
AP Photo/Eraldo Peres
Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Além dos desafios jurídicos, o Brasil enfrenta o dilema social e político de lidar com um amplo espectro de apoiadores que tendem a manter seu apoio ao ex-presidente mesmo após a denúncia
“Zuck lucra com o ódio”, diz o cartaz do ativista em protesto contra a Meta, realizado em abril de 2024 na frente da sede da companhia em Londres. Alinhamento dos discurso das big techs com o do presidente eleito Donald Trump estarreceu toda a comunidade global que estuda os efeitos deletérios do extremismo e da desinformação nas plataformas digitais.
AP Photo/Kirsty Wigglesworth
Em nome da “liberdade de expressão”, Mark Zuckerberg anunciou medidas que transformarão suas plataformas digitais em terreno ainda mais fértil para a contaminação do debate público por conteúdos de desinformação e de ódio
No campo político, a renovação da onda conservadora provocada pela vitória de Trump deixou bolsonaristas em êxtase. Mas as decisões fiscais e monetárias que a nova administração republicana deverá tomar podem provocar impactos custosos à economia brasileira.
AP Photo/Silvia Izquierdo
Guilherme Casarões, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP)
Políticas protecionistas podem prejudicar as exportações de produtos industriais brasileiros, e aliança entre EUA e Argentina prejudicará os esforços do Brasil de integração da América do Sul
Manifestantes brasileiros protestam contra o Supremo Tribunal Federal e “agradecem a Elon Musk, dono do X (antigo Twiter): Brasil ocupa lugar privilegiado na rede transnacional de desinformação e manipulação a respeito de um suposto modelo de perseguição e autoritarismo, representado pelo STF.
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Isabela Kalil, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
Para a extrema-direita brasileira, a imagem consolidada de um “Brasil autoritário”, que baniu o X (antigo Twitter), serve como ferramenta de mobilização e legitimação, fortalecendo o movimento de anistia dos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro
A deputada Yael Braun-Pivet faz um discurso ao ser reeleita como presidente da Assembleia Nacional francesa após três rodadas de votações, em mais um sinal de que o parlamento se encontra dividido e sem liderança firme.
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Aline Burni, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Com a falta de um vencedor claro e sem perspectiva de coalizão entre os blocos que compõem a Assembleia Nacional, houve pouco progresso em direção à indicação de um nome consensual para o cargo de primeiro-ministro e à formação de um novo governo
Marine Le Pen (à extrema direita da foto) comemora com os integrantes do Reunião Nacional eleitos para o Parlamento nas eleições francesas de 2024: apesar de não ter sido alavancado ao poder como esperava, o partido extremista que carrega bandeiras ultranacionalistas e autoritárias cada vez se “normaliza” mais no cenário político do país.
(AP Photo/Michel Euler)
Alvaro Bianchi, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) and André Kaysel, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Oriundo da Frente Popular de Jean Marie Le Pen, o partido liderado pela sua filha Marine procura conciliar ultranacionalismo, autoritarismo e outros mitos neofascistas de declínio civilizatório com os princípios da democracia. O que é impossível.
Diretor de Relações Institucionais do Instituto Democracia em Xeque e Professor de Comunicação Política, Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)